Thursday, July 16, 2009

Vitrine


O que eu sinto sopra meu peito e é como um sussurro. É como uma manhã gelada de sol, com a luz escapando pelas frestas da janela, quando enxerga-se as listras douradas cobrindo o teu corpo ao meu lado. É uma gargalhada na areia da praia, seu cabelo no vento, o inverno, o inverno, as folhas das árvores. Meu amor é toda a natureza e é tudo o que eu não entendo e desejo. Desejo cada vez mais decifrar as palavras por trás das palavras por trás das palavras. Mas o que resta da cumplicidade não se traduz: se fecha os olhos para enxergar o resto do que ia ser dito. É um silêncio estranho, é um azul profundo, é uma aspereza vulgar. É tudo lindo em suas pequenas singularidades - irritantemente indescritível. É o relógio marcando três horas da manhã, a ponta do seu pé, a ponta do seu queixo, é uma coisa maravilhosa e comum. Todo mundo ama, tudo se ama, o mundo é amor. Mas o meu é especial - o meu segura meus ombros e o meu foge do que eu posso compreender e o meu me engana e se engana e me esconde e se esconde e é nesse jogo de ilusão que eu me enterro cada vez mais. Me perco nos deslizes de vocabulário. Me perco porque perdi minha rainha nas últimas cinco vezes e desejo, desejo tanto na verdade que um tabuleiro de xadrez fosse uma cama de grama e folhas secas. Não penso em nenhum segredo, acho que estou escancarada. Um pouco cansada de passar meses derrubando os tijolos da parede da sua casa, mas agora - se é que agora posso concluir algo - acho que valeu a pena. Quero acordar do seu lado todos os dias, quero você na simplicidade irritante da minha vida, no nada, quero você imerso no meu nada, e nem é pra machucar, nem é pra gritar, é só pra amar tudo o que eu puder, porque você é o amor. Você é o amor de todos os momentos em que eu nunca entendi o que era o amor.