Thursday, July 16, 2009

The music is boring me

O tédio que me engole é lento e gordo, é suave e escorregadio, é um olhar que escapa do canto do seu rosto por um segundo, por um instante muito pequeno, mas é ele inteiro, ele é tudo.
O tédio que me engole vem de todas as direções, sai da saliva da boca de todas as pessoas, foge pelo suor de suas mãos e me umedece.
O tédio é inteiro muito belo e sutil, e a sutileza é sua principal característica. É a existência generosa que continua a perpetuar-se pela inércia, pelo último pedaço de bolo, pela xícara de chá, pelo cobertor, pelo chão, por baixo da porta.
Na rua da minha casa, ou na margem de um rio distante, ou em Paris, em baixo do tapete corre esse líquido pela canaleta tortuosa que se abre na terra a cada passo que dou, e me persegue, e me envolve, e torna-se sólido e de repente grande e cheio de significado.
O tédio é um detalhe. O detalhe é que tudo tem um pouco de poeira, todos os aspectos tem um pouco dele em seus cantos.