
Eu sonhei com o pé daquela cama
Era uma manhã gelada do mês de julho. O frio secava meus pensamentos e eu só podia sorrir. Foram duas horas de mente entreaberta, com intervalos consideráveis de sanidade e completa insanidade. Sabia por alguns instantes sobre mim e no segundo seguinte não sabia mais nada. Entendia todo o sentido da vida só pra esquecer logo depois. O inverno ardia minha pele mais que o sol do verão. O inverno era uma, duas, três, quatro inesquecíveis meias brancas.
A água era prateada porque refletia toda a luz que fui capaz de enxergar. O mundo era inteiro dissolvido naquele metro quadrado. O mundo não existia mais, e incerta, eu indagava ´que anos passados, que praias, que outras pessoas´. Ele segurava minha mão e deletava meu passado. A existência eram dois lençóis brancos, a existência era a chuva - que chuva! Era o tapete, dois tapetes, as nuvens em cima claras e em baixo muito pretas, muito escuras, muito amedrontadoras.
Eu fiquei todos os dias sem decidir as palavras que explicavam o que eu senti. Ele falou por mim, e já era tarde, e eu me impressionei.
- Acho que o céu vai nos engolir.
- Acho que vai mesmo.