Thursday, July 31, 2008
Passar
Tenho pressa, mas vou devagar. Estou feliz porém reclamo, e é provável que o motivo seja a atual falta de melhor ocupação. Tudo começa em breve: mas por equanto tudo termina. É preciso desmoronar para poder murar os limites da vida de novo. Estou ansiosa, mas sigo tranquila. Os problemas, na maior parte do tempo, acabam por consertar-se sozinhos. Não lamento mais as perdas pois já creio que nada me pertence: nem eu me pertenço, somos todos livres de nós mesmos. Não desejo o mal para os outros porque não enxergo motivos para fazê-lo; não tento ser perfeita, mas me arrependo. Não sonho mais sonhos tão grandes porque agora apenas aguardo. O futuro chegará, irremediável, inadiável, como chegou todos esses anos que se passaram, e quando o fizer, seja como for, ele será. De nada adianta a pré-ocupação com os pensamentos distantes. Fiz o que fiz, o fiz da melhor maneira que pude e não escolheria outro jeito: nem tudo é como eu quero, mas ao menos me é dado o direito de tentar de novo. E de novo. E de novo. Já disseram-me uma vez que quem não desiste, não perde. Mas as vezes é bom perder, ceder ao fluxo. Vou esperar, vou rolando morro abaixo, de braços abertos e o cabelo cheio de terra seca. Tenho pressa mas desapresso minha mente hoje. Não quero me incomodar.