Eu não queria ter que decidir uma coisa para fazer durante o resto da minha vida. Não queria mesmo. Cada vez mais me levo a acreditar que meus interesses são tantos e tão variados que não existe um tipo de graduação que vá me satisfazer completamente. Ao ser obrigada a escolher sinto estar inevitavelmente tendo que abandonar pelo menos metade dos meus sonhos. Eu tenho pressa. Queria ler todos os livros, ouvir todas as músicas, assistir todos os filmes e escrever todos os textos de uma só vez. Não sei o por quê disso, só sei que é o que eu sinto. E ao mesmo tempo que sinto vontade de concretizar tantas coisas em tão pouco tempo, me sinto também tentada a adiar todas elas o máximo possível até que eu possa enfim tomar uma decisão que vá de acordo com os desejos que eu tenho para o meu futuro. Não tenho nenhum plano, nenhum objetivo específico a ser alcançado. Na verdade tenho vários, e minha maior vontade é fazer, o que quer que eu faça, muito bem, e se possível, de uma maneira que ninguém tenha feito antes. Não há sentido em escolher uma profissão na qual eu não vá fazer nenhuma diferença. Esse seria com certeza meu maior pesadelo. E a pior parte é que quanto mais o tempo passa e quanto mais próxima eu me sinto da realidade, mais fica claro que talvez eu não seja tão especial quanto eu gostaria de ser. Talvez eu não tenha um futuro brilhante reservado para mim, e sim apenas um emprego ordinário que seja o suficiente para que eu me alimente todos os dias. Não que eu deseje algum tipo de riqueza extraordinária, muito pelo contrário, dinheiro está longe de ser um dos meus principais desejos. O que eu realmente gostaria é de fazer a diferença. Realmente fazer valer a pena a minha estadia aqui, ao invés de passá-la em branco, arrastando-me através dos dias nos quais eu respiro.
Mas o que importa é que eu não gosto mesmo de ter que escolher. Queria estudar e fazer muito mais coisas do que me é permitido. E no fim das contas a triste verdade é que acabo na sala de espera, rodeada de desejos e ociosamente parada.