Eu odeio você e os seus discos do Bowie, seu violão quebrado do lado, seu sapato marrom, as pontas dos seus cabelos, as veias vermelhas dos seus olhos, o sofá da sua casa, as manchas de café nos seus dentes, o banco de trás do seu carro, a sua rua, a sua calçada, o seu colo, a sua calça de veludo, o seu tornolezo estalando, sua gasolina, seus livros, suas revistas, seus filmes, seus irmãos, sua risada sarcástica, suas palavras emaranhadas, seu olhar de desprezo, o quadro na sua parede, a farinha da sua cozinha, a maneira com a qual você me observava, seus ombros, sua barba e aquela costeleta ridícula, o jeito com o qual você não ligava pra mim, os elogios que você me fazia, as mentiras, as verdades, o jeito com o qual você me adorava, as linhas da sua mão, as noites que eu passei acordada, as noite que eu dormi, seu chocolate quente, seu chá de laranja, o chão do seu banheiro, seu tapete persa, sua sala de aula, suas alunas burras, o corredor, todos os corredores, todas as frases que não rimavam, todas as poesias, todo o baudelaire que você lia, todo as coisas, tudo, você e a sua vida inteira que me foi imposta.
Odeio a pessoa imaginária que você foi e que eu era. Nós dois juntos não existíamos.