Tuesday, April 17, 2007

sem titulo 2

Minha vida é uma mentira. E cada aspecto da minha personalidade que possa parecer no mínimo interessante é simplesmente irreal. Tudo uma farsa, um teatro meticulosamente ensaiado para que o público não tenha dúvida alguma de que sou de verdade. Decoro minhas falas muito bem e sou ótima numa improvisação. É tudo tão imaginário que chega a me surpreender: mas não tanto. Já sei que sou isso, só isso, só assim. A única realidade que tenho é a mentira, minha única verdade é surreal.

Não vão me descobrir porque eu estou aqui muito bem escondida. Não vão me descobrir, eu fico para sempre coberta, encoberta. Não preciso de mais nada, não preciso de mais ninguém. Aprendi a não pedir nada dos outros, a não pedir nada do mundo. O que eu não tenho eu invento, e passo a possuir o impossível dessa maneira. Nada grande demais para ser considerado pecado, nada pequeno demais para ser perdoado.

Vivo assim, sem conseqüências e sem futuro.

Passado de papel machê e presente envolto em névoa. Quase nada, quase nada. Quase não dói nada, saber que essa vida aqui não é minha. Mas arde um pouco e as vezes me dá vontade de chorar, e começar de novo, e viver para valer.