Friday, April 13, 2007

nada

O amarelo dos telhados das casas escorria pelas paredes como se a luz estivesse chorando. Tudo era avermelhado, e o laranja do ceu gritava o inicio da manha. As cercas brancas brilhavam, trasparentes, translucidas, sinceras, sorridentes. A grama dos jardins era granulada, era um doce, era um bolo de chocolate numa tigela de cermica, numa mesa de cafe da manha. O cheiro das campainhas e despertadores era salgado, era lilas. As telhas entrelacadas nos tetos das casas davam a imagem um aspecto de quebra-cabeca pitoresco. Os galhos das arvores adormecidos iluminavam-se. Todas as caracteristicas pareciam nao pertencer direito ao que pertenciam. Acho que as coisas simplesmente sao mais bonitas e poeticas de longe, na ideia, na teoria de coisa bela em si.
Porque quando voce se aproximar, a poeira no canto das janelas embassadas talvez fique um pouco mais evidente. Os tijolos cuidadosamente descascados, os buracos no asfalto, o lixo na sarjeta. As pessoas acordando mau-humoradas, as pessoas em si sempre acabam fazendo tudo parecer ligeiramente menos belo.

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eu quero me enfiar num buraco e ficar ali.