Todo mundo tem uma razão pra existir. Eu não busco razões, não, fico feliz de terem me deixado existir um pouquinho e pronto. Mas as vezes a gente não consegue parar de imaginar: será que cada um já nasce predisposto a fazer uma coisa?
Acho que não. Quer dizer, eu não, só se nasci predisposta a não fazer nada. Se bem quem não fazer nada é fazer algo, certo? Porque se fosse pra não fazer nada, realmente, eu diria "fazer nada" sem o "não" na frente. Tá dando pra acompanhar?
Bom, se é pra fazer alguma coisa, que seja bem bonita. Queria fazer uma coisa bem bonita. Porque sabe, é difiícil quando você vê os anos passando tão depressa (agora eu pareço alguém de 60 anos falando - mas não, é sério, passa depressa mesmo!) e não faz a mínima idéia de o que fazer com a própria vida.
Quando eu era pequena me diziam que eu podia ser qualquer coisa que eu quisesse. Até aí tudo ótimo, tudo lindo. Agora o problema: o que é que eu quero ser? Que tipo de pessoa eu vou escolher pra ser até o fim da minha vida? Será que as pessoas simplesmente não se ouvem quando pedem pra que eu faça esse tipo de escolha? Isso não é coisa que decida, o que é que você quer ser.
Eu quero ser a Marina, porra.
Quero conhecer o mundo, quero subir nas montanhas, quero descer nas cavernas, quero pular dos penhascos, quero balançar nos balanços, quero sorrir das piadas, quero chorar as tristezas, quero voar com o vento, quero correr pela grama, quero deitar na terra seca, quero deitar na terra molhada, quero deitar debaixo da lua, quero dormir debaixo do sol. Nadar em todos os rios e em todos os mares e em todos os lagos.
Agora vocês me informem, por favor, qual é a profissão que inclui tudo isso.