Tuesday, April 24, 2007

que bosta isso.

O frio demonstra a inevitavel capacidade de me congelar de dentro pra fora
Como se fosse obvio e necessario
Desesperante e obrigatorio, um reflexo que nao podemos controlar a qualquer hora.
As horas do relogio se torcem
Nao preciso de nenhuma hora, nem do agora
Os ponteiros berram e apertam os olhos
Do que seria contar uma terrivel mentira
E a ira, ah a ira...
Os toxicos segundos, os vicantes minutos
A pele, o suor, os poros.
O frio mostra mais uma vez sua habilidade em esfriar meu corpo pelo lado de dentro
Eu corro pra fora, penso sempre correr pra fora
Sem perceber, sempre entro.
Os numeros no redondo se acendem, azuis
Todos que gritam sao sempre azuis.
Livrando-se dos minutos sobram os dias longos e amassados
Sobram nossos presentes e passados
Eu nao me lembro de nada.
Pra mim, nada nunca aconteceu
Tudo morreu
naquela brisa de verao, quando ninguem sentia frio
Por dentro
E por fora a febre que nao esquenta
Nao consola, nao sufoca
A febre indiferente que apenas aumenta o frio de dentro.
O relogio prova sua capacidade de esfriar a vida
e a habilidade de tornar meus segundos vazios, e me arrancar do meu centro.
Nao penso, nao quero
Nao sinto, nao vejo
Nao escrevo.
Nao sei, de nada, nem do frio.
Nem do vento.