Tuesday, June 19, 2007

No banco de madeira.

Sete e meia.

- Então, está escuro, melhor irmos embora daqui.
- Ah, não.
- Não?
- Não queria ir embora.
- Mas aqui é perigoso.
- Eu sei, mas queria ficar mais um pouco. Só meia hora.
- Por que mesmo?
- Não é por causa de você não, certo? Vai embora se quiser, eu fico sozinha sem problemas.
- Eu nem falei nada.
- Eu nem falei que você tinha falado nada.
- Certo.
- Certo.
(......)
- Mas então...
- O que?
- Nada.
- Ah, fala.
- Desisti.
- Do que?
- De falar.
- Agora ou pra sempre?
- Pra sempre, com você.
- Certo.
- Certo.
(.....)
- Eu só não entendo essa sua atitude de uma criança de dez anos de idade.
- AHHN?
- Falar isso, assim, do nada, só pra me alfinetar. Só pra me fazer perguntar "Oh não, por que é que você não quer falar comigo? Minha vida acabou depois dessa hein"! Só pra você poder se sentir melhor e mais querido, e eu me sentir uma merda maior ainda, mais do que o normal.
Pra que isso tudo se nada disso importa mesmo? Se nós não somos ninguém um pro outro, no final das contas? Só duas pessoas sentadas no banco de madeira no parque. Se você nunca tivesse me conhecido, não faria nenhuma diferença. Se nada disso tivesse acontecido, não faria nenhuma diferença. Então eu simplesmente não entendo essa sua insuportável insistência em jogar esses joguinhos emocionais comigo, como se amar uma pessoa fosse um jogo de xadrez onde apenas um de nós pode vencer e o outro tem que obrigatoriamente ser humilhado, nessa atitude patética e digna de uma criança de dez anos que tem ciúmes do coleguinha que foi brincar no escorregador com outro.
E se nada disso tem significado nenhum, eu só não sei por que é que você perde seu tempo fazendo isso.
- ...
- Parei.
- Perco meu tempo fazendo isso tudo, sentado no banco do parque à noite, porque eu gosto de você. Por que mais seria?
- Sei...
- É.
- E agora?
- Tanto faz, nenhum de nós dois importa mesmo.
- É.
- Eu penso agora que não é que não signifiquemos nada um pro outro. Talvez a gente só não queira significar.
- Pode ser. Eu não quero mesmo.
- É.
Sabe Marina, quando você quiser...
- Hm
- Eu não vou ficar sentado no banco do parque pra sempre. Eu não sou esse tipo de pessoa.