Wednesday, June 20, 2007

De perto, ninguém se mexe direito

Todos puxam um pouco da cabeça para a esquerda ou para a direita.
De perto todo mundo é um pouco mais estranho e os olhos são um pouco mais úmidos e menos brilhantes. O olhar é menos perturbador. A voz é mais cortante, não soa mais o mundo como se estivéssemos todos debaixo d´água.
A imaginação é um pouco menos fértil, deixa mais espaço para ações e bem menos para preposições aleatórias. De perto todas as pessoas tem mais defeitos, mais pintas, mais rugas na testa, menos fumaça em volta de suas existências.
Todos mexem no cabelo de um jeito meio feio, quando acham que ninguém está reparando.
De perto todo mundo é um pouco menos estátua e um pouco mais ser humano.
Eu só gosto de enxergar as pessoas de perto, muito perto.