Saturday, June 30, 2007

Make my life cliche

Eu tive um sonho, e foi horrível. E era real, e enquanto ele acontecia eu sentia um medo e um pavor subindo pela minha garganta. Seca. Lembro do sonho, mas não contarei como foi. Contarei que quando acordei senti um alívio tão grande que era como se o ar voltasse a passar pelos meus pulmões, só que agora livremente. Outros detalhes não são importantes. O importante foi o clichê. Aquilo que a gente sempre acaba pensando quando tem um sonho que parece muito real: o que é que diferencia o sonho da vida? E se dormíssemos pra sempre, nossa vida não passaria de um sonho, e então o sonho passaria a ser a nossa realidade. E penso que talvez a morte seja apenas um sonho do qual nós nunca mais poderemos acordar. Como se dormíssemos pra sempre. E se fosse, então seria como se estivéssemos vivendo outra vida, tudo de novo. E morrer não seria tão ruim assim, a não ser que sonhássemos um sonho muito ruim. E as noites mais longas sempre têm os sonhos mais curtos. Talvez porque se mergulhássemos muito profundamente dentro de um de nossos sonhos, seria impossível voltar a realidade que antes existia. Ela talvez desaparecesse e a ilusão tornaria-se a verdade. E eu não duvido nada quando digo que este momento aqui, eu sentada nessa cadeira escrevendo essas coisas, isso pode ser só um trecho de um sonho que eu estou tendo, agora mesmo. Quem vai me acordar?