Friday, August 08, 2008

A vida

Quero acordar de manhã, rolar no edredom branco. Tomar uma caneca de chocolate quente. Ver o dia nascer devagar, as nuvens andando em sua deliciosa preguiça. O índigo dissolvendo-se em turquesa. Esticar o dia, me esticar. Dar risada de qualquer coisa. Virar de lado, rir mais. Assistir Polanski as onze horas. Dissolver aquarelas. Dissolver um copo de whisky. Enterrar-me embaixo da espuma fosca. Escrever uma poesia pros passarinhos na minha janela. Jantar uma garrafa de vinho, quem sabe te jantar. Esconder meus pés embaixo das almofadas vermelhas, sentir o cheiro doce do seu pulso. Regar brincos-de-princesa. Fechar os olhos só pra abrir de novo e lembrar que eu enxergo e existo. E então existir um pouco mais. Ver o dia dormir devagar, os laranjas e os rosas numa fusão com o azul-claro das seis e meia da tarde. Dissolver a minha tinta acrílica no óleo da sua banheira. Tanto faz o que você quiser fazer, eu quero fazer tudo. Comer cenouras. Correr pra bem longe só pra depois poder voltar pra bem perto. Enjoar do seu açúcar. De um longa do Lynch. Quero desacordar de manhã, rolar na grama seca. Viver é bom.