Wednesday, August 06, 2008

I win

Minha boca cantava coisas e eu já nem sabia mais qual era o motivo. As pessoas à minha volta cantavam também. O professor fazia perguntas repetitivas e acho que todos desconheciam suas respostas. A menina do meu lado sorriu. Eu sorri. Olhei de relance para meu braço esquerdo: um corte fundo no antebraço fazia um sangue vermelho escuro, quase marrom, escorrer devagar. Senti um peso enorme sobre a minha cabeça, como se estivesse vários metros embaixo d'água, e então comecei a me afogar em meu próprio ar. A sala clara e iluminada aos poucos foi ficando cheia de nuvens, e tudo escurecia. Minha mente devagar escurecia. Tentava com toda minha força respirar em paz, mas era impossível. Não havia nada em meus pulmões. Olhei num desespero silencioso à minha volta: as pessoas ainda riam. Ninguém havia percebido nada, ninguém ia me salvar.
"Dessa eu não escapo", pensei.
E acordei num pulo com o coração batendo na garganta; Mas pelo menos acordei.