Monday, August 18, 2008
Mas se não...
Se eu não sirvo pra nada, que aos menos eu sirva pra nada muito bem. Se você me odeia, que no mínimo seja uma delícia me odiar. E se não me tiver mais, que não me tenha mas ainda me queira. Ou que me tenha, porque eu quero que você me tenha muito. Se eu não sei o que falo, que ao menos eu saiba o que penso. Se nem souber o que penso, eu sei que sei o que eu sinto. Se você não quiser me dizer mais nada, meu amor, saiba que eu nunca te pedi palavra alguma. Nós somos só o movimento. Nós somos sempre um novo rio. Se for pra ir embora, no mínimo vá para muito longe. Mas se for pra ficar, que seja dentro de mim. Se eu não te suporto mais, que ao menos eu te ame mesmo assim. Se você não me entende, que ao menos me deite no seu colo. Nosso paradoxo pouco importa, a felicidade é tão mais grande e mais importante que a sua lógica. Nem em um breve silogismo eu conseguiria tirar a verdade da coisa simples que nós somos juntos. Se você sente ciúmes de mim, que pelo menos seja só pra me perdoar depois. Se eu não cobro nada de ti, é só pra que saibas que o meu amor é livre de formação de dívidas: eu só quero a parte boa de todos os prazeres do mundo.