Friday, January 06, 2012

São três horas da manhã

São três horas da manhã, formigas caminham pela minha pele. É uma sensação ao mesmo tempo triste e natural. Como se em meio a uma corrente de um otimismo passageiro, quase que milagroso, a vida fizesse questão de chutar meu nariz. A vida faz assim comigo mesmo, me beija e bate na minha cara. Eu já nem ligo. É como se fizesse sentido que eu tivesse me enganado. Pessoas cometem erros. Você foi um erro, eu acho. Porque são três horas da manhã, e você dorme no meio das minhas frases, e você ronca no quarto ao lado, como sempre, eu sou essa pessoa, eu espero, deitada, depois do gozo, depois do riso, por qualquer sinal de humanidade. Quem é humano, eu preciso repudiar. Contento-me com o resto, talvez. E se, no meio da noite, você dorme e eu choro, eu juro que choro, em silêncio, depois de um tempo nem me esforço mais para fazer silêncio, como sempre, pela décima vez, não se preocupa, eu já me acostumei, meu amor, a ser tratada assim. Eu levanto pela manhã, de novo, eu sou maior que isso. Mas eu não perdoo. Eu aprendi que não nasci pra sofrer. E você, bom, se você não vai me ver mais, o máximo que eu posso dizer é que pena, que pena, que pena, que pena, que pena, que pena, que pena, o azar é seu.