Em tudo, bem, quando eu pude, eu fui injusta. Minha vida toda eu fui injusta, fui injusta contigo, meu amor, sou injusta com outros, ninguém consegue mais me convencer o que é que vale a pena. Só você fazia o passar dos dias, um seguido do outro, se preencher de sentido. Agora, tudo parece uma névoa mal-compartilhada. Não sei lidar com a falta de amor. Eu não sabia ser feliz do seu lado, eu não sei ser feliz sozinha, talvez eu simplesmente não saiba ser feliz.
Eu só queria bons motivos. Pra fazer qualquer coisa, pra tomar uma atitude, nem que fosse exagerada, qualquer coisa. Eu precisava de alguma porra, um tapa na cara, um cuspe, qualquer merda que me convencesse que viver ainda vale a pena. Porque eu não consigo mais enxergar porque é que eu estou fazendo tudo isso. Agora tudo parece um borrão.
Se viver não me basta, você vai me dar uma razão pra ficar do teu lado? Você vai me convencer que te amar vale a pena?
Eu não tenho mais medo de nada. No carro, a estrada é longa, e isso era tudo que eu conseguia perceber. Eu não tenho mais medo não. Eu vou me entregar, eu quero viver de verdade, não importa, porra, é por isso que eu estou indo. Porque eu preciso de alguma coisa. Nem que seja pequena, mas uma coisa. Meu peito está aberto, e sabe, eu estou aqui pra isso. Mas você não me dá nada de volta, no irônico ciclo da vida, e eu não fico sentada no quintal esperando aparecer uma borboleta se não me derem um bom motivo.
Que bosta de texto esse, e foda-se também.