Monday, November 21, 2011

I wish there was something you would do or say to try and make me change my mind and stay

Tem esse cheiro impregnado no meu cabelo, é o teu cheiro. Tem alguma coisa dentro de mim que vai apodrecendo, forma feridas na minha pele, meu corpo dói por dentro, como se houvesse uma camada na minha carne que fosse ácida, não sei.
O ônibus demora quarenta minutos pra chegar, eu sento no frio, eu tenho quatro marlboros que me fazem a companhia que você não faz mais. Eu não tenho medo de pisar na merda, meu amor. Não chove em São Paulo, eu saio de casa, são oito horas, eu não quero pegar um táxi, vocês não podem fazer isso comigo. Andar a Paulista até o final é a última coisa que eu tenho, é tudo que me resta, não me façam pegar carona, vocês não podem roubar isso de mim.
E, se de madrugada, eu volto, piso errado, você conhece essa cidade? Tem lixo em todo lugar. São Paulo tem pilhas e pilhas de lixo nas ruas, e as pessoas dormem no lixo, e as pessoas cheiram à lixo, me dão boa noite, eu respondo, eu não teria mais o que dizer. Tem esse gosto preso na minha boca, ele não sai mais, é o gosto da tua boca, é o gosto de todas as pessoas que eu não posso amar.
Eu nunca vou deixar de ser apaixonada por você. Mas agora, se eu deito, durmo doze horas, preciso ficar chapada pra dormir, acendo um cigarro no outro, mas você não pode me dizer que eu não estou bem. Eu estou melhor que nunca. E se talvez, só talvez, a culpa não for minha? Talvez tenha sido você quem não soube me amar direito. Porque eu sou muito mais que isso aqui, eu sou muito maior que isso aqui, eu sou alguma outra coisa que você ainda não sabe. Você ainda não me amou inteira.
Todos os homens têm o teu nome. Então eu fumo mais um cigarro, pra esquecer, pra lembrar, de você, das coisas que eu não posso apagar de mim. Eu não quero nada dos outros, eu não espero nada dos outros, eu só preciso poder admirar alguém de novo. Só mais uma vez. Eu só preciso que você me ache alguma coisa, me ache qualquer coisa, escreva pra mim, não me esqueça, não me ame, por favor não me ame mais.
E se, no meio de uma aula, eu ouço que CINEMA É ISSO, então cinema é isso mesmo. É essa elipse entre eu estar aqui e eu estar em outro lugar. Eu sempre vou estar em outro lugar, ou você não percebe, será possível que você não perceba? Não sei. De repente todas as pessoas à minha volta parecem mais interessantes, tem essa névoa entre o meu corpo e o corpo delas, sentam do outro lado do ônibus, fumam lucky strike, eu fumava lucky strike.