Tuesday, June 16, 2009

Enquanto isso

Peço um breve perdão não por estar escrevendo mal, já que isso é coisa que ocorre assim num dia-a-dia tão comprido, mas pelo fato de eu não saber escrever muito bem sobre nada que não seja a minha pessoa. Redimir-me-ei. Vou adiar minha vida pra semana que vem, ou pra próxima, ou pra próxima próxima, vou pra Praga, vou pra Florença, ver flores, flores, quantas flores eu vou adiar pra Agosto.
Peço um breve perdão aos olhos alheios, não por estar sorrindo mal, porque isso acontece mesmo durante meus dias após dias longos, mas pelo fato de que quando eu sorri de verdade acho que ninguém percebeu. Nem eu percebi. Vou deixar minha felicidade marcada pro dia 24 de Setembro, mas não desse ano, nem do ano que vem, só quem sabe em 2013, ou nem ali, vou conferir mais tarde.
Peço um perdão breve porque colocar seu nome no título de um texto que não fala sobre você é algo realmente ofensivo. Um tapa na cara do meu ego gigantesco que eu preciso constantemente segurar pra não esquecer que não, o mundo não gira em volta do meu redondo umbigo. Como se servisse de desculpa eu gostaria de afirmar apenas que você me faz feliz e gente feliz é egoísta. Não que os tristes não o sejam, longe de mim afirmar isso.
Peço um parêntesis para explicar não as mentiras que eu conto, e ultimamente as tenho contado bem menos, mas para explicar o excesso da sinceridade. A única coisa que acalma de verdade meu medo é a esperança vã de que você me entenda como eu desejo loucamente te entender. Não que você deixe que eu o faça, mas esconderijos são coisas que acontecem porque os nossos dias são demasiadamente arrastados.
Perdoem por fim minha falta de vocabulário mais preciso ou mais poético, mas o ar que eu respiro e a água quente que eu bebo e as costas mornas que eu abraço são nesse segundo tudo o que eu preciso no mundo. Um sentimento de plenitude encosta em meus ombros, e a melhor parte é que não é a plenitude esgotada de uma vida longa e vazia ou a plenitude sufocante do exagero, e sim uma plenitude promissora daquelas que senta no alto de um muro e olha pro horizonte, põe a cabeça pra trás e inspira um sorriso.
Era uma trilha de pedras cinzas que levava até o topo de uma montanha com vista pro mar verde, verde que doía. Eu olhava pras pessoas do mundo e pedia perdão não pela imperfeição do meu ser, porque imperfeições são coisas que aparecem quando se é vivo e se vive, mas pela beleza que irradiava dos meus poros, e não era a tal beleza do desgaste que se vê na televisão, era ela de verdade, era a beleza mesmo, era o amor.