Thursday, May 28, 2009

Rep: 19 de Agosto de 2005

O sol nascia gelado por entre as frestas da janela mal fechada. Era uma manhã de céu aberto e cor-de-rosa, que emoldurava uma brisa leve e rápida que chiava por entre as folhas das árvores. Os sons pareciam todos distantes, como se a única coisa próxima fosse do tique-taque do relógio de corda, jogado de qualquer jeito na cabeceira da cama. Parcialmente acordado, ele pousa seus pés tímidos no chão frio e nem um pouco convidativo. Dirige-se aos pulos na cozinha, desviando dos possíveis obstáculos com os olhos ainda semicerrados de sono. Mecanicamente enche sua própria xícara com café amargo, bebendo-o num só gole.
Um som de campainha alto e ardido ecoa pelas paredes de madeira da casa. Era ela esperando em cima do capacho, os olhos grandes e castanhos encarando com curiosidade o olho mágico, o sorriso infantil escondido entre os lábios fechados. Quem a visse ali pensaria logo que a brisa e o frio paravam só para assisti-la passar. E talvez eles realmente o fizessem.