Precisava de alguma coisa. E que viesse com tudo, violentamente, na mais pura das belas violências, como elemento catalizador, como tornado, como furacão, como canção tocada numa guitarra fora de tom. E que fosse rápido, e que durasse pra sempre e fosse sábio, e gritante, e discreto, e rude, e encantador. E que sorrise com ironia, a ironia eterna que é irmã do sarcasmo, que é rei do universo. O sarcasmo domina o universo.
Como queda livre, do topo de uma montanha. Um grito desesperado. Boca torta. Coração disparado.
Um tapa na cara. Um risco de giz na lousa. Uma canção.
E que fosse mesmo como uma canção, desafinada, desafinada, o mais desafinada que fosse.