Wednesday, February 09, 2011

Ao Que Nunca Foi

Se estende estéril pela paisagem
Longe dos meus cotovelos
Ríspido nas palavras, mas de voz gentil
A goela amassada
Até que a vista não mais o distinga

Os contornos dissolvem-se
O fundo é amarelado
A palma da mão molha
A última palavra que ele disse, pela janela

É o tumor que cresce em ti
Quase um filho.

Nunca desejaria compactuar
Tamanha inverdade!
Apertava os olhos e por entre os galhos
Queria só gritar o teu nome
Como é que se chama o teu osso
Qual era o teu fio de cabelo

Se estende fértil em diagonal
Sobreviveu a estiagem e, quem diria, logo hoje
Rude quando se dirige aos outros, mas comigo
Desamassa meus lençóis
Aperta minha garganta, eu fico cega

Nunca foi real o seu formato
O calor do cinza-asfalto, meia, insuportável
Longe dos teus joelhos, o que é que ainda se molha
A última palavra nunca foi dita

Cada mentira é uma surra que você deu em mim
Quase uma mãe.