É curioso como o que realmente constrói a vida são as sensações. Depois de tanto tempo de evolução e atos exagerados de auto-afirmação de que somos uma espécie racional, ainda sim falhamos. Falhamos. Não é tão complicado de entender. Nem tão difícil de aceitar. Falhamos, sim, paciência. Lidemos com o problema, busquemos uma outra maneira de organizar as razões de nossa existência. Essa que escolhemos não funciona mais. Não há vergonha alguma em falhar. Foi apenas uma tentativa, sua validez se mantém, inclusive como experiência e sabedoria. Se não nos resguardarmos na arrogância de não crer na falha, estaremos seguros. Não bateremos novamente nossas cabeças fragéis contra as tais paredes de vidro.
Por isso é estranho a maneira com a qual, apesar de toda a lógica que tenta explicar empiricamente o universo, o que realmente nos faz seres humanos são os nossos sentimentos. Podemos ensinar pensamentos abstratos para um chimpanzé, até mesmo para um papagaio. O que ninguém faz como o homem faz é amar. Nosso amor é um acontecimento único, anti-lógico, que vai contra qualquer probabilidade calculável. Contra qualquer plano ou estatística. É irracionalmente compreensível, é o que criamos - ou aprendemos - de mais perfeito em nossa estadia neste planeta. É no amor que realmente devíamos basear nossa construção de conhecimento, ao invés de empilhar tijolos vazios uns sobre os outros, em uma enorme torre científica que vai do nada ao nada, emaranhada em sua egocêntrica cerca disfarçada de verdade absoluta.
A verdade está nas sensações. A razão falseia o sentimento, corrompe a pureza, corrói o amor quando ele ainda é simplesmente uma pulsão. Não que a ignorância seja uma benção, mas pelo menos a humildade é.