Não compreendo o funcionamento do meu corpo de maneira completa. Em inércia, ele continua, ignorante, a viver. Espero um dia conseguir superar essa aflição. Ser contra nunca se preocupar em ser, ou saber. Ou achar que há sabedoria. De repente me detenho e penso que estou trocando de estilo poético porque imito um outro que desgosto. Não compreendo o funcionamento das coisas, não compreendo o funcionamento do mundo, eu não compreendo, nada, eu não entendo, eu não sei, e o pior de tudo isso é que ninguém se dá ao trabalho de me explicar. Daí o medo do escuro: a falta do aviso da falta de luz. Não disseram sobre a reflexão e a retina. Apenas há uma BOLA, um ser oval que entala na garganta e coça, e não parte, e não fica, apenas incomoda, e sufoca um pouco, porém não completamente, porém nunca completamente, e não desaparece. Eu amo viver mas não compreendo como o faço. Já o amor, este eu compreendo: porque me explicaram, eu sei, de antemão, que amar é vibrar o corpo inteiro contra o ar em volta, e enxergar o rosto mesmo com a distância, e nunca, nunca, nunca deixar de amar.