Thursday, August 04, 2011

para gabriel

Pra quem você escreve, com palavras tão grandes. Seus substantivos são melhores que os meus. E pra quem você vive, menino, você nunca consegue ser menor? Você nunca consegue não se apaixonar, de novo, e se for pra se apaixonar, por que não por mim? Por que não por eles? E por quem você vive, criança, modela tua casa, penteia teus cabelos, mas o que você faz de si, que te faz pensar que se faz maior, e você nunca pode, você nunca vai ser, nem por mim, menor. Tem entre eu, e você, uma luz que nunca se apaga, e você que more longe, que você que morra longe, tem entre você, e os meus pensamentos, sempre menores, alguma coisa que nunca se rompe, esse cordão umbilical, sai da tua garganta, pra minha garganta, mas você não nasce em mim.
Então eu só queria perguntar, não sei, pra que você faz poesia, se é que pensa que faz poesia, ou faz ácido, faz fluoxetina, para que você ama, e quem você pensa que ama? E se os seus verbos falam mais do amor que os meus, você pensa que eu deveria chorar? Chorar por quem, por ti? Chorar por quem, por mim?