Wednesday, January 28, 2009

Sara e o copo

Os olhos dela correram pelas paredes da sala. Parou por um instante e me encarou, com uma lágrima escorrendo pelo canto do rosto. De repente eu fiquei mal porque senti tudo o que ela sentia. Mas que merda é o amor!
- Mas que merda você, Marina.
- Sabe o que é a pior parte de tudo isso?
- O que?
- Estamos ferradas e esta situação é o melhor que nós conseguimos até agora.
- É sim.
- Nós nos merecemos.
- Pois é, Marina, nós nos merecemos muito. Merecemos muito amar outras pessoas.

Eu ri. Eu ri só por falta de criatividade. Não saberia inventar outra reação.
- Eu estou aqui, bem na sua frente, do jeito que você queria desde o início. Eu sou sua, só sua! Escancarada, aberta, nua, fria, entregue. Dependendo de você, apaixonada. Apaixonada, e você me trata assim!
- Não quero mais. NÃO QUERO MAIS. Não consigo querer mais, Sara. As pessoas ficam muito feias quando amam a gente.
- Não é verdade. Não fala isso. Você já amou tanta gente que te amava...
- Não dá pra saber.

- VAI EMBORA. Vai embora, sabe por quê? É muito fácil amar gente que está distante. Sem convivência, sem dia-a-dia, quando você for só a lembrança das partes bonitas do nosso relacionamento, eu vou te querer mais que tudo no mundo.
- E agora, aqui, você não me quer?
- Não mesmo. Todo mundo é melhor se for só um conceito. Vai pra longe.
- Eu vou, Marina. Pra te amar mais.
- Vou te amar muito mais.