Os seus pés pisando na grama molhada eram o meu maior pesadelo. E quando você deitava sua cabeça pra trás na rede e seus olhos azul-piscina me encaravam arregalados, eu sabia que não precisava de mais nada: nem de saber mais nada.
Porque eu te amava e você não era nada: não era perfeito, nem genial, nem meu. Mas era o que era e era o suficiente, e essa era a beleza por trás da coisa toda. A beleza por trás da coisa toda era que eu não precisava de você e você não precisava de mim, nós eramos felizes sozinhos. E mais felizes ainda juntos.
Quando você falava as suas palavras saíam da minha boca. Às vezes você inteiro entrava pela minha boca, e acredito até que eu sempre tenha querido era te engolir pra que nós virássemos um só.
Mas não viramos. E você continuou você, com os cabelos bagunçados balançando no vai e vem daquele pano pendurado no meio do matagal, continuou perfeitamente você, desesperadamente você, e foi tanto você e tão pouco eu que eu não consegui mais agüentar. Será que não dava pra perceber como você estava me torturando?
Eu te quero, eu te quero muito. Eu quero você pra mim, todas as noites e todas as manhãs, do meu lado pra assistir todos os filmes e ler todos os livros e conhecer todas as pessoas. Eu te quero desesperadamente, eu te desejo com todos os sentidos e eu vou te esperar.
Eu te quero, sabe, muito. Quero, mas eu não preciso de você.