Você sussurra que me ama, vinho tinto, coca-cola, você não me ama mais tanto assim, mas e daí se estivermos juntos, Lisboa, você vem pra puxar de mim meu homem, e você não sabe de nada, ele me ama, ele diz que ama, mas quando as palavras dele me alcançam elas já passaram tantos anos lá fora que eu não sei mais, Lisboa, eu quebrei meu braço, eu quebrei minhas pernas, eu estou toda machucada mas isso não iria importar se ele me amasse.
Então, você diz, você diz com delicadeza, não grita, não levanta a voz, apenas me ama, deitado, em silêncio, no escuro, os pés entrelaçados, como sempre, você é o único homem de verdade que eu conheço, às vezes isso é demais pra mim, eu precisava de um pouco mais de você me ama, você diz que me ama, você diz, você.
Lisboa, ele me ama, ele não ama você, esse é o veredicto final. Eu perdi tudo, eu perdi tudo, absolutamente tudo que eu tinha e isso não é mesmo lindo, esse homem, inteiro, só pra mim, ele é o que me resta, porque eu não tenho mais nada a perder, eu estou completamente livre pra fazer o que eu quiser. Eu posso pintar.
Mas ele diz que me ama, e nessa liberdade toda, tão absurda, o que eu quero de verdade é só amá-lo de volta. Bem devagar, que amor não é coisa que se subestime. Eu estou livre, Lisboa, até pra te visitar, eu sou adulta, eu decido, eu vou estudar, eu quero fazer tudo, tudo isso, mas já já. Agora eu vou só amar.