E ao mesmo tempo que eu sinto essa necessidade de ser eu mesma, eu sinto essa inevitável vontade de ser qualquer outra pessoa menos eu mesma. Talvez porque nem agora, nem sozinha, assim, eu saiba quem eu sou. E talvez porque a cada vez que eu falo uma palavra com alguém, ou beijo uma pessoa, ou bebo um copo, eu esteja só tentando descobrir quem eh que eu realmente sou e pra onde eh que eu devo correr.
Porque eu estou sentada aqui e a minha maior vontade eh de correr, muito, pra muito longe.
Eu entendo as pessoas que fogem.
Eu entendo as pessoas que fogem dos outros e de si mesmas.
Eu entendo as pessoas que tem medo.
Eu entendo ele, e tudo o que ele escreveu, e sobre como ele olhava pros lugares e sentia um lixo pior e pior ainda enquanto o tempo passava. Querer ligar pra alguém e não ter números. Estar preso no meio da neve. E se sentir uma bosta. Eu queria deitar no colo dele essa noite inteira ate esse sentimento passar.
Queria ligar pra ele e dizer que eu entendi tudo, todas as palavras. Que eu quero fugir pra Nova York tambem.
Que eu quero viver outra vida tambem.