Friday, May 18, 2007

Sobre flutuar

Eu fico caindo, e me desequilibro. As vezes acho dificil o equilibrio sobre os proprios pes. As vezes acho dificil escrever poesia, ou sempre acho e acabo achando facil. Porque tanto andar quando escrever sao acoes que acontecem naturalmente, e escorrem durante a nossa existencia como relogios. Mas sempre tive uma queda injusta pela prosa, pela enumeracao de frases e depois paragrafos. Talvez um dialogo qualquer entre outra coisa qualquer. Talvez nada significativo, so letras seguidas, umas depois das outras, numa metalinguagem tao vazia que seria impossivel tirar dela qualquer significado sobre o significado do ato de escrever em si. Ou de andar, que seja.
Eu ando caindo, literalmente. Quando saio pra andar pela rua e me vejo no espelho, e me vejo na calcada, e perco o controle sobre o controle dos meus pes. Caio. Caio, eu, sim, com as pernas roxas. Eu ando caindo demais, ando rolando escadarias abaixo, batendo a cabeca pelo corrimao. Eu ando caindo tanto que acho dificil me expressar em palavras, que acho dificil ate mesmo escrever palavras, letra e letra formando silaba, como se qualquer som que pudesse sair da minha boca representasse meus pensamentos. Mas meus pensamentos nao vem em palavras. Meus pensamentos nao vem em gestos. Meus pensamentos nao vem em olhares. Meus pensamentos nao vem em nada que eu consiga representar e compartilhar, meus pensamentos sao eles mesmos por si so e pronto.
Entao eu caio, tropeco e levanto de novo. E acho melhor nao falar nada do que falar alguma coisa que nao tenha sentido algum. Mas me percebo muitas vezes induzida a sentar aqui e fingir que o que eu penso faz sentido. Mas nada faz sentido, nem essa prosa, nem qualquer poesia que eu pudesse escrever. Nada mais faz sentido, e eu ando caindo.