Wednesday, May 11, 2011

Over their afection

O teu corpo se dobra em pirâmide. O meu café já esfriou. Nus, olhamos para os próprios pés.
Eu sinto saudades de alguma coisa, de um som, acho, sinto saudades de um cheiro, acho, da areia, penso, eu sinto falta de qualquer coisa. Nostalgia articulada. Não aguento as palavras bem pronunciadas de quem mente mal, de quem respira mal, eu sinto falta de mais corpos, dobrados. As pernas e os pêlos ficando loiros com o sol, aquele barulho, vinha do chão. O teu corpo, antes que eu o encontre, os teus cabelos no rosto, se amassam, em espiral, luz quente na tua pele, na tua carne, o meu café já esfriou. Sem açúcar, por favor. Eu não posso mais ser essa pessoa, biologicamente, eu não posso ser a mesma pessoa. Eu fiquei doente. Me desculpe. Eu fiquei muito doente, e agora, eu não vou voltar. Eu não vou voltar e acho que você sabe, e não me encara mais, olha pros próprios pés, nostalgia articulada, respira sobre o meu pescoço, mal, sente falta da areia, e eu não bebo mais café, e você só fala disso. E o que era se resume a três palavras mal-pronunciadas, sempre na mesma voz, diálogos do nada ao nada, meus gatos, seus joelhos, você mente mal. Para si mesmo. Nosso egoísmo nos venceu. O meu corpo se dobra, em ponte, eu quero ser o seu tapete, então pisa em mim, sem açúcar, por favor.