As manchas escuras inundando as paredes
Eu não tenho nada pra te falar.
Mas as vezes me dá uma mistura de raiva e ânsia de vômito quando eu leio você escrever sobre mim. Você não me conhece. Você não me conhece. Pode apostar que você nunca vai me conhecer. Não acho nem que teria vontade. E me usaria como usou todas as outras, só que sabendo que eu sou um pouquinho melhor que elas. E arrancaria de dentro de mim o que precisasse pra depois falar que eu estava feia. Que você me ama. Me ama? Querido, você não sabe o que é o amor. Você nasceu ontem. Você não faz idéia do que está querendo dizer: a dor que você sente não é de verdade. Não é sua dor! Não te pertence! Você copiou dos outros. Você não é o Bukowski. Não queria ter dito assim dessa maneira, mas você é um adolescente brasileiro e a sua tristeza é patética. O seu ego é patético. Metade do que você pensa ser não existe. Você não existe. Nem eu existo pra você. Fui inventada. E além do mais, você não me conhece.
Você não me conhece, mas hoje pode vir deitar no meu colo. Contar pra mim como foi seu dia, se você trabalhou muito, que filmes andou vendo, quais bocetas comeu. Tudo o que você quiser, meu amor. Nunca vamos ter um ao outro. Nunca mais eu vou aparecer na sua vida. E agora? Agora a gente tem todo o tempo do mundo pra sonhar.